Infraestrutura · 2 min de leitura

Ethereum está fazendo política industrial — mas como toda política de subsídios, ela tem luz e sombra.

Desde março de 2024, com a atualização Dencun, a Ethereum começou a oferecer blobs: espaços de dados baratos exclusivos para as blockchains de segunda camada (L2).

Desde março de 2024, com a atualização Dencun, a Ethereum começou a oferecer blobs: espaços de dados baratos exclusivos para as blockchains de segunda camada (L2).

Na prática? Foi como se uma prefeitura dissesse: "Quer construir? Toma lote grátis e isenção de IPTU. Só não congestione o centro da cidade."

As L2 correram para ocupar esses terrenos digitais. De lá pra cá, o mercado se autorregulou e manteve o uso bem próximo da meta estipulada pelo protocolo (~3 blobs por bloco). Um equilíbrio raro até em economias do mundo real.

Média de Blobs por bloco desde a atualização Dencun Média de Blobs por bloco desde a atualização Dencun

Hoje, com o Pectra, a Ethereum ampliou a oferta desses "lotes". As L2 ganharam fôlego para crescer mais um ciclo. Mas, como em qualquer zona urbana em expansão, logo esse espaço também ficará pequeno.

O aumento do "target" e "limit" de blobs por bloco O aumento do "target" e "limit" de blobs por bloco

Curiosamente, quem lidera essa ocupação é a Base (da Coinbase) — uma espécie de Alphaville das L2.

O que estamos vendo aqui não é só tecnologia. É política macroeconômica digital:

  • Subsídio decrescente: primeiro ajuda as L2 crescerem, depois deixa o mercado ajustar preços e competir.
  • Planejamento urbano: distribui o espaço (blobs) de forma a evitar concentração e congestionamento.
  • Inovação incentivada: cria um ambiente onde novos projetos podem surgir sem custos proibitivos.

✅ Pontos positivos:

  • Redução de custos para inovação (novas L2s surgindo).
  • Acessibilidade para usuários (transações baratas).
  • Descongestionamento da rede principal (L1).
  • Alinhamento do mercado: os blocos mantiveram o uso estável, dentro da meta estipulada.

⚠️ Pontos negativos:

  • Concentração: grandes projetos (como a Base) dominam o espaço subsidiado.
  • Dependência: algumas L2s podem sobreviver só porque o custo está artificialmente baixo.
  • Escassez inevitável: mesmo com o Pectra liberando mais espaço, a demanda já pressiona novamente.
  • Valor não capturado: grande parte do valor gerado pelas L2s não retorna à Ethereum. → Usuários pagam taxas na L2, não na L1.

Resultado? Explosão de uso sem equivalente valorização no preço do ETH.

Enquanto governos ainda tentam desenhar políticas industriais eficazes, a Ethereum já executa uma em tempo real, com governança descentralizada e realizando grandes atualizações no seu software de forma "frictionless".

Você usuário da Ethereum, notou alguma instabilidade durante essa atualização? Acredito que assim como eu, nem percebeu rsrs.

Volto a dizer que blockchain não é só código. É economia aplicada em sua forma mais pura.

Publicado originalmente em https://www.linkedin.com/pulse/ethereum-est%C3%A1-fazendo-pol%C3%ADtica-industrial-mas-como-toda-bruno-moniz-zwglf